quinta-feira, 6 de outubro de 2011

TRIBUTO AOS PIONEIROS


Por Antonio Carlos Cabrera 
Tudo tem um começo! A arte de mixar discos começou há muito tempo atrás e os pioneiros devem ser sempre lembrados. Conheça alguns deles.
Oswaldo Pereira - O primeiro DJ do Brasil

Oswaldo a esquerda e o equipamento rudimentar da época
Já nos anos 50, haviam DJs desbravando o árduo caminho e preparando terreno para os que viriam nos anos 70, 80 e 90, rumo à consagração da atividade.
As famosas "orquestras invisíveis" tinham por trás a mão anônima de um DJ, que trabalhava apenas com uma vitrola e tinha que interromper a música para fazer a troca dos discos. O público, muito repeitosamente aguardava em silencio a troca dos discos para depois, voltar a dançar.
A orquestra invisível mais famosa era a "Hi-Fi-Let`s Dance" de Oswaldo Pereira, o primeiro DJ do Brasil. Oswaldo fazia tudo sozinho com sua vitrolinha holandesa e um amplificador de 100 watts que ele mesmo montou. Era muita potência para a época e o público não entendia como tanto som podia existir sem uma orquestra de verdade presente.
Oswaldo ficou em atividade de 1959 até 1968, quando começou a febre do samba-rock.
Monsieur Limá (Messiê Limá)
Monsieur Lima
Um dos grandes nomes da discotecagem nos anos 70, era do carioca Monsieur Limá (pronunciava-se Messiê Limá). Limá foi um dos primeiros DJs brasileiros a ir para a televisão. Ele apareceu em vários programas da extinta TV Tupi até ganhar seu próprio programa.
Esse maranhense baixinho e de roupas espalhafatosas, sapatos plataforma e muita atitude ganhou fama com suas coletâneas de disco music.
Apesar de não ser um expert em mixagens ou viradas, Limá marcou pela ousadia e pela postura em frente ao público e à camera de TV.  Monsieu Limá faleceu em 1993, aos 50 anos.
Alcir Black Power
Eu tive a honra de participar de dezenas de bailes feitos pelo grande DJ carioca, radicado em São Paulo, Alcir Black Power. Muito do que sei hoje sobre funk, r&b e rap aprendi ouvindo essa fera tocando suas fitas de rolo nos bons e velhos tape-decks Akai. Alcir só tocava  música de qualidade e muita coisa que ele tinha ninguém mais tinha. Naquela época (início dos anos 80), as equipes de som tinham espiões que iam nos bailes das outras equipes checar o que eles estavam tocando. Quando Alcir rolava uma daquelas raridades que só ele sabia garimpar os olheiros ficavam loucos e não conseguiam descobrir que som era aquele. Alcir guardava tudo a sete chaves. Alcir abandonou a discotecagem, mas a saudade dos bailes ainda mexe com a alma funkeira desse mestre.
DJ Braguinha
Mister Sam
Mister Sam e Braguinha
Esse é outro grande nome das pick-ups que já passou para o outro lado.
Braguinha foi, entre outras coisas, DJ dos programas de rádio de Mister Sam. Ouvi muitas mixagens e "viradas" feitas por esse grande artesão da música que lançava clássicos no Brasil como Ya Mamma do Wuf Ticket ou Non stoppin` that rockin` do Instant Funk, por exemplo. Tudo que Braguinha tocava na sexta-feira, às 23h no programa de Mister Sam era ouvido no sábado e domingo seguintes nos sound sistems das equipes de som do início dos anos 80.
Mister Sam trouxe do exterior, nos anos 80, raridades e artistas underground como Sasha (nada a ver com a filhinha da Xuxa) e produzindo artistas brasileiros como Baby Face (Nahim), Gretchen, Bebeto, Black Juniors e dezenas de outros.  Sam atuou como DJ em casas como Dancing, Soul Train, Be Bop, Latitude 3001, Station. Todas em São Paulo.
Sônia Abreu

A pioneira Sônia Abreu nos longinqüos anos 70
Essa foi a primeira mulher a assumir as pick ups, já nos longinqüos anos 70. Sônia, além de ser um exemplo de garra e persintência, foi também uma desbravadora, abrindo caminho para as mulheres no machista mundo dos djs.
Ela trabalhou na extinta rádio Excelsior AM, ainda nos anos 60, quando resolveu radicalizar e só tocar o que achava bom. Isso custou-lhe o emprego na rádio mas abriu outras possibilidades. Sônia foi para a boate Miragem, na rua Augusta, em São Paulo. Lá também teve que aguentar o preconceito do público e de alguns djs da casa.
Em 1977, vai para a aclamada Papagaio Disco Club e fica por lá por 2 anos. Nos anos 80, inovou ao fazer festas ao ar livre em um coreto na rua Augusta e logo em seguida montou o primeiro Sound System brasileiro com dj, em uma Kombi e depois em um barco.
Ousadia não faltava para essa garota que dedicou quase toda sua vida às pick ups e à música.
Um aviso! Sônia ainda está na ativa! Salve Sônia !
DJ Grego

Grego e Greguinho em ação
Todo DJ que se preza já ouviu falar do lendário Gregão, o homem da gilete. Grego talvez tenha sido o maior editor que esse país já viu surgir. Sua técnica em editar com a gilete as fitas de rolo tornaram-no um sinônimo de perfeição.
Os remixes criados por Grego marcavam mais que os discos originais dos artistas e era muito comum pessoas indo às lojas de disco procurar uma música da Donna Summer que não existia, porque era um remix feito por Grego.
As gravadoras logo perceberam o potencial desse mercado e passaram a convidar Djs para remixar músicas de seus novos artistas.
Grego foi um dos responsáveis pelo remix da música Louras Geladas do RPM. Esse remix, feito por ele, Iraí Campos e Julinho Mazzei, praticamente pôs a banda no mapa e abriu uma clareira para os desconhecidos músicos do RPM naquele momento. Esse foi o primeiro remix nacional a sair em vinil.
Nos anos 80, uma nova geração de djs surgiu, honrando o nome dos pioneiros dos anos 60 e 70 e levando a arte brasileira do turnstablism ao exterior.
Não podemos nos esquecer de nomes importantes que iniciaram suas aventuras nas pickups nos anos 80, como Iraí Campos, Cuca, Silvio Miller, Tuta Aquino, Corello, Marlboro, Zapp da Matracatrica, Chicão da Moby Dick, Gegê da Sunshine, Grandmaster Ney da Chic Show, Mister Gil do Club House, Rômulo da Furacão 2000, Greguinho, entre centenas de outros nomes não menos importantes para a história.
Julinho Mazzei

Julinho Mazzei e seu grande amigo Hope
Um inovador, um pioneiro, um mestre das mixagens! O que dizer desse santista, radicado em Nova York, que nos anos 80, transformou o rádio brasileiro numa sucursal da Big Apple.
Julinho arrebentava em 1981, no seu programa The Big Apple Show, que ia ao ar pela rádio Jovem Pan II. Era a conexao São Paulo - New York. Um festival de exclusividades e super mixagens produzidas por ele e por Albert Cabrera (Latin Rascals). Juntos, eram responsaveis pelos remixes conhecidos como Paco Super Mix, exclusivos do programa do radialista americano Paco Navarro da rádio WKTU de Nova York, a famosa "Disco 92".
Julinho tocava em primeira mão os remixes em seu programa.
Um dos destaques do programa era o passeio pelo dial americano. De ponta a ponta, Julinho mostrava o que estava rolando naquele momento nas rádios americanas. No final dos anos 80, Julinho pos no ar outro sucesso. Era o programa Radio Fligth.
Com o passar do tempo, o nome Julinho Mazzei virou sinônimo de perfeccionismo, ousadia, novidade e acima de tudo credibilidade. Viva Julinho! Veja entrevista de Mazzei em 1989.
Big Boy
Esse foi o pioneiro da música na tv e no rádio no começo dos anos 70. Hello crazy people. Talvez o maior comunicador jovem que esse país já conheceu. Passou pela vida como um cometa e deixou saudades em quem o conheceu. Imagens dizem mais que palavras. Veja o documentário sobre o saudoso Big Boy.


Sylvio Müller em 1983
DJ Sylvio Muller - Iniciou sua carreira de DJ no final dos anos 70. Apadrinhado por Julinho Mazzei, esse sorocabano apaixonado por música foi para a rádio Pool Fm, em 1984. Lá conheceu o DJ Grego, e tornaram-se parceiros em diversos trabalhos posteriores. No início dos anos 90, produziram juntos o single BR3, música que teve Tony Bizarro nos vocais e deu a largada ao selo "12" For DJs". Durante a carreira, Sylvio envouveu-se com produções i nacionais e nternacionais, remixando músicas de vários artistas como Paralamas do Sucesso, Camisa de Venus, Ultraje a Rigor, A-Haa, entre dezenas. Também produziu as coletâneas DJ Construction, nos anos 90.


Fontes: 
Fotos retiradas do livro "Todo DJ já sambou" de Claudia Assef - Conrad Editora
Foto Julinho Mazzei e Hope by Julinho Mazzei - 2006.
Foto Sylvio Muller by Sylvio Muller - 


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