terça-feira, 21 de outubro de 2008

Kanye West mostra novo CD, defende o gangsta rap e apóia Obama

A propalada fama de marrento de Kanye West, grande atração do TIM Festival, parece ter ficado nos Estados Unidos. Na tarde desta segunda-feira, ele apresentou seu quarto disco, "808's & Heartbreak", que só sai no final de novembro, para a imprensa, direto do iPhone. Destacou duas delas e perguntou aos jornalistas qual achavam que devia abrir o disco, uma bem eletrônica com tecladaria espessa e batida hip hop ou outra com menos eletrônica e batida bem tribal. Venceu a primeira. Ele não revelou os nomes das músicas, disse que só serão divulgadas no próximo dia 28, porque o disco não está fechado. E até cogitou de ainda acrescentar alguma música.

No novo disco, ele não rapeia, apenas canta multiplicando vozes com diferentes graus de distorção (auto tune effect). O CD vai muito além das batidas monótonas e loops de teclados do hip hop. Numa conversa com este repórter, ele rejeitou a classificação de música eletrônica para o disco, afirmando que nenhuma faixa tem o tum-tum-tum das músicas de pista. Apesar disso, se aproxima bastante da sonoridade de nomes como Daft Punk, com quem já colaborou, Prodigy e até de grupos dos anos 80 como Depeche Mode, por alguns timbres dos sintetizadores.

- Não aceito de maneira alguma que chamem isto de música eletrônica. Sempre tentam colocar as coisas em caixas específicas. Este disco tem muitos elementos de hip hop, de rock, de rhythm'n'blues, tem boas melodias que podem levar a ser chamado de um disco pop. Quando alguém faz alguma coisa que não pode ser descrita, que é algo novo, só depois de quatro ou cinco artistas fazerem a mesma coisa é que pode ganhar uma classificação - disse Kanye West.

A uma ponderação de que ele estava levando o hip hop a um novo caminho, ele concordou inteiramente: "É, acho que você pode dizer isso".

No megashow da turnê "Glow in the dark", que ele vai mostrar em São Paulo nesta quarta e no Rio sexta, ele sai numa missão espacial em busca da critividade que, segundo ele, falta aqui na Terra.

- Trago a criatividade porque aqui está tudo reduzido a rótulos, a música é isso, o hip hop é aquilo...Peguei as canções antigas que fizemos e as montamos numa espécie de história como uma trilha sonora. Quando você vai ao show ouve mais uma trilha sonora do que uma mera sucessão de músicas. E o show tem a ver com o novo disco porque eu misturo batidas tribais, melodias e grandes ganchos - explica ele, usando o plural majestático para se referir à sua ilustre pessoa.

Kanye deixou a imprensa esperando duas horas para a audição, pediu desculpas pelo atraso e foi ele mesmo regular o som para tocar o disco. Reclamou que estava ligado em mono e pediu cabos para som estéreo.Com ajuda de alguns da sua trupe, ele acabou conseguindo o que queria e o som rolou alto e poderoso, daqueles impossível de escutar parado. Ele mesmo se sacudiu, levantou os braços ou apenas mexeu a cabeça o disco inteiro, um caso raro, pelo menos no Brasil, em que o artista escuta o disco
junto com os jornalistas.

Kanye defende o gangsta rap repleto de palavrões e de sexismo como apenas uma forma de diversão:

- Eu gosto do gangsta rap tanto quanto de positive rap. É diversão. Eu gosto dos filmes de Stallone e Schwarzeneger, eles têm muita violência e mortes, mas eu não saio matando ninguém. Pode até ser que os rappers tenham algum tipo de responsabilidade, mas a música é acima de tudo diversão. Você acha que um diretor de cinema tem a mesma responsabilidade de um rapper pela suposta questão da violência? Acho que não.

O pai de Kanye fez parte dos Panteras Negras, organização radical dos anos 60 que pregava a luta violenta pelos direitos dos negros, e tudo que aconteceu naquela época está sendo lembrado pelos 40 anos de 1968, um ano de grandes manifestações na América. Kanye acha que a questão da luta pelos direitos é sempre atual, mas ressalta que ele prefere ir pelo lado social e pelo exemplo que dá de ser um artista bem sucedido no que faz. Ele tem uma fundação que ajuda negros e latinos de comunidades pobres com bolsas de estudos, um trabalho iniciado por sua mãe, já falecida.

Como cidadão, ele apóia Barack Obama. Indagado se a iminência de um presidente negro era um sinal de que a América mudou ou uma questão de oportunidade, já que o atual governo jogou o país numa crise e ninguém quer votar de novo num político do mesmo partido, ele fica no meio a meio.

- Eu acho que é um pouco dos dois mas não gosto de me aprofundar no discurso político. Estou do lado de Obama e participei de shows em apoio a ele.

Durante a audição Kanye, tinha dois iPhones e um notebook Mac aberto que consultou e escreveu algumas vezes. À certa hora, quando se levantou para falar com alguns amigos de sua trupe, suas duas blusas estavam levantadas e ele pagou um cuecão...de oncinha. Kanye West é fashion.

P.S. Ele nega que já tenha gravado algum material para o novo e misterioso novo disco de Michael Jackson:

- Todo mundo me pergunta isso, mas nada aconteceu ainda. Nem entrei em estúdio com ele - despista.


Fonte: O Globo

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